“O amor olha para frente, o ódio olha para trás, a ansiedade tem olhos por toda a cabeça” (McLaughlin, 1915)

ansiedade

O mundo chega a um ápice de sua história onde a tolerância, a calma  e a paciência são palavras totalmente esquecidas, não cabem no dia a dia de um povo que preza pela urgência e rapidez pensar sobre estas, quiçá usá-las. Não há mais tempo para aguardar, perdoar,  esperar, deixar para daqui a pouco; tudo é para ontem.

Mas, o corpo não consegue acompanhar esse ritmo. E  então, um belo dia ao acordar sobressaltado(a) pelo despertador que  anuncia um possível  atraso para a vida veloz, aparece uma  tontura, um aperto no peito, uma agitação….que a pressa se encarrega de despistar, justificar, encobrir, pois há uma agenda impossível de  ser cumprida que o(a) aguarda. Muitas vezes essa pessoa não consegue dizer todos os “nãos” que precisariam ser ditos e também não  sai de casa  sem ler as noticias trágicas ao redor do mundo, as prisões realizadas, a corrupção alarmante, a água que falta, o sofrimento que sobra. As  atualizações no facebook, twitter, instagram, dentre outros fazem  parte desse despertar, mas no tocante ao ouvir um corpo que fala, que grita por calma isso já não é possível, porque não se tem mais tempo para tal.

O dia já avançado exige trabalho e aquele mal estar da manhã já foram esquecidos, superados. Estranhamente a tontura reaparece ao final do dia, ou alguns dias depois, e vem junto com umas palpitações estranhas, dores de cabeças, pequenos tremores, insônia, pensamentos negativos,  nunca antes percebidos. A respiração fica ofegante, o ar lhe falta e uma consulta ao cardiologista é marcada. Mas, possivelmente essa pessoa não estava tendo um ataque cardíaco, mas  sofrendo de um dos maiores males do século que é um transtorno de ansiedade.

No entanto, antes de pensarmos o transtorno é preciso entender o que é ansiedade. Segundo Barlow(1999), Ansiedade é a reação ao perigo ou à ameaça. Cientificamente, ansiedades imediatas ou de curto período são definidas como reações de luta-e-fuga. São assim denominadas porque todos os seus efeitos estão diretamente voltados para lutar ou fugir de um perigo. Assim, o objetivo número um da ansiedade é o de proteger o organismo. Quando nossos ancestrais viviam em caverna, era-lhes vital uma reação automática para que, quando estivessem defrontados com um perigo, fossem capazes de uma ação imediata (atacar ou fugir). Mas, mesmo nos dias agitados de hoje, este é um mecanismo necessário. Imagine que você esta atravessando a rua quando de repente um carro, a toda velocidade, vem em sua direção, buzinando freneticamente. Se você não experimentasse absolutamente nenhuma ansiedade, você seria atropelado. Contudo, mais provavelmente,  você correria para sair do caminho dele para ficar em segurança (reação de luta e fuga). A moral desta estória é simples – a função da ansiedade é proteger o organismo, não prejudicá-lo e  por isso precisamos dela. Essa ansiedade não provoca sofrimento para o individuo, mas os diversos transtornos ansiosos sim, esses  fazem mal.

O  homem não vive mais em cavernas, não precisa mais de mecanismo de luta e fuga para com o urso; a agricultura não ocupa mais tanto espaço, muito menos os trabalhos manuais,  mas atualmente ele luta diariamente com grandes perigos: o ESTRESSE, o trânsito, a sobrecarga de trabalho, e de informações, a preocupação com a aparência,  as promoções que prometem felicidade, a universidade presencial e online, a opinião das pessoas, o status almejado. Não existe mais a privacidade, ele mesmo abriu mão quando criou um perfil nas redes sociais. É preciso ver e ser visto! Um curso superior já não lhe basta, andar nas ruas é uma grande maratona e sua casa necessita sempre de mais travas, grades e alarmes. É um novo tempo, como são novos também os transtornos relacionados à ansiedade: Transtornos de Pânico, Ansiedade generalizada, Mistos, dentre tantos outros. O homem de hoje preocupa-se principalmente com o FUTURO, o PRESENTE está comprometido pela infinidade de pensamentos que insistem em não sair de sua mente.

No entanto é preciso nos questionarmos,  estaria o ser humano fadado a um transtorno ansioso no meio de tanto caos ou existe uma forma de não cair nas armadilhas da mente e ter uma vida saudável e produtiva?

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Um abraço e acalmemos nosso passo! –

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